
Musical é um dos meus gêneros preferidos do cinema. Alguns dos meus filmes queridos de todos os tempos são musicais, como, por exemplo, Mary Poppins, Mágico de Oz e O Fantasma da Ópera. É injusto comparar os musicais de ontem com os de hoje, pois são completamente diferentes. Todo filme musical atualmente é um espetáculo, sendo que os musicais de antigamente focavam mais na inocência dos personagens e nas próprias músicas mesmo, sem grandes produções (mesmo porque na época não tinha) mas sem perder a grandiosidade do fato.
Semana passada fui na pré estréia do filme/musical Nine e, claro, estava com altas expectativas (infelizmente). Afinal, como um filme com um diretor e elenco tão bom poderia dar errado? Antes de eu explicar, vamos a alguns fatos. Esta peça na broadway foi inspirada no conhecido filme do Federico Fellini “8 ½” , e estreou nos teatros em 2003. A história é sobre um cineasta em crise, o Guido Contini (interpretado por Daniel Day-Lewis), que não consegue realizar seu novo filme e acaba ficando louco diante das expectativas sobre ele. Cercado de mulheres em sua vida (esposa, amante, prostituta e por aí vai...), cada vez mais ele vai afundando num dilema sem inspiração.
Na teoria (e no teatro) essa trama deu certo, mas não no cinema. Nem o grandioso elenco de mulheres consegue fazer deste filme um "excelente musical". Marion Cotillard, no papel da esposa Luisa Contini, arrasa em duas performances muito boas das músicas: My Husband Makes Movies e Take It All. Penélope Cruz está divertidíssima como a amante possessiva de Guido e faz um número de dança sensual. Kate Hudson, como a jornalista fashion, canta uma única música também: Cinema Italiano, mas é a mais animada do filme. Porém, meu destaque vai para a música e melhor apresentação: Fergie (Black Eyed Peas), com Be Italian.
A cantora faz o papel da prostituta e mal aparece no longa. No entanto, esta canção é a que mais tem cara de músical e a letra tem tudo a ver com a história, por isso é minha preferida. Já a Nicole Kidman, como a musa do diretor, me decepcionou. Fez tanto botox e plásticas, que mal consegue se expressar falando ou, muito menos, cantando. Daniel Day-Lewis, como sempre, está sensacional no papel do diretor famoso e incompreendido.
As músicas boas fazem o filme valer a pena. Não é um filme ruim, é apenas fraco, sem forças para emplacar. Vá assistir sem expectativas e talvez goste...mas só talvez.
Estreia sexta-feira, dia 29/01, nos cinemas
Janis Lyn